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Efeito cascata: Planalto teme debandada do PMDB do governo


Dois dias depois de chamar os ministros do PMDB para medir a fidelidade da legenda diante da ameaça de impeachment, como mostrou o Correio ontem, a presidente Dilma Rousseff descobriu a dura realidade dos riscos de contar com o maior partido da coalizão. O ministro da Secretaria de Aviação Civil, Eliseu Padilha, pediu demissão do cargo e embarcou para Porto Alegre. O temor no Planalto é que outros integrantes do partido no primeiro escalão tomem a mesma direção e façam ruir a frágil sustentabilidade política do governo.

O ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves, é um deles. O ex-deputado não se sente tão confortável no cargo e tem reclamado sobre contingenciamentos na pasta, apesar de o país estar a pouco mais de nove meses das Olimpíadas. Mas dentro da própria legenda há quem diga que o titular do Turismo dificilmente tomará uma atitude contundente como fez Padilha.

Pelos cálculos peemedebistas, nem é necessária a saída de outros ministros. A decisão de Padilha, por si só, é emblemática. “O recado foi dado. A noiva peemedebista está no salão à espera do buquê”, disse um analista do partido. No mesmo instante em que mantém apoio à Dilma, Temer almoça com senadores do PSDB para debater a economia e os desdobramentos da crise política e reúne-se com investidores e representantes do mercado financeiro colocando-se como fiel depositário de uma transição. Ainda que de forma oblíqua, como é próprio do PMDB. “O PMDB não faz as coisas. Ele vai fazendo”, disse um aliado de Temer.

Padilha é, de todos os titulares da Esplanada, o mais próximo do vice-presidente Michel Temer. Entrou no ministério apadrinhado pelo vice-presidente e, quando este assumiu a articulação política do governo, puxou o parlamentar gaúcho para ajudar nos trabalhos da Secretaria de Relações Institucionais (SRI) cuidando, principalmente, do varejo da política — distribuição de cargos e pagamentos de emendas parlamentares.