Conexão Repórter: imagens de câmeras de segurança contradizem acusação de Patrícia Lélis a Feliciano; Assista

segunda-feira, agosto 15, 2016

“Uma história de uma lunática”. Esse é o resumo que o pastor Marco Feliciano (PSC-SP) fez do caso em que a jovem estudante Patrícia Lélis o acusou de agressão e tentativa de estupro, em entrevista ao programa Conexão Repórter, do SBT.

Na extensa reportagem do jornalista Roberto Cabrini foram mostradas imagens de câmeras de segurança que reforçam a defesa do pastor, e também as reiteradas acusações feitas por Patrícia Lélis, que voltou a afirmar que quando esteve a sós com Marco Feliciano em seu apartamento funcional em Brasília, ele o ameaçou com uma faca, e que o vestido que ela usava no dia teria marcas da arma.


A estudante afirmou que “não houve conjunção carnal” porque o crime teria sido interrompido por uma mulher que bateu à porta do apartamento do pastor ao ouvir seus gritos.

Feliciano, que finalmente concedeu uma entrevista sobre o caso, contou que esteve com a estudante em três ocasiões, sendo uma no Senado, outra em uma reunião do PSC e uma terceira em seu gabinete, na presença da mãe de Patrícia e uma amiga dela.

Questionado por Cabrini sobre o que se trata as acusações da estudante contra ele, o pastor classificou a narrativa como “fantasia, mentira, injúria, calúnia, difamação, falsa comunicação de crime”, e perguntou: “O único apartamento que tem aqui do lado é o de um outro deputado. Cadê essa mulher?”, afirmou, referindo-se à suposta testemunha da tentativa de estupro.

Sobre as alegações de Patrícia Lélis a respeito das possíveis propostas que ele teria feito a ela, Feliciano negou que tenha oferecido emprego em troca de um relacionamento extraconjugal: “É outra história fabulosa. Nunca houve esse tipo de conversa. Nunca houve esse tipo de reunião. Nunca”.

O pastor disse ainda que admitiria publicamente uma relação extraconjugal se ela tivesse acontecido: “Eu sou um pastor, tenho a minha família, minha esposa, Edileusa, tenho três filhas e inclusive a minha filha mais velha tem praticamente a idade dessa moça. Eu tenho respeito pelas famílias […] Se fosse verdade, pela minha família, pela imprensa, é claro que eu admitiria”.
Exame de corpo de delito

Patrícia justificou sua decisão em não procurar a Polícia de imediato, logo após a suposta agressão e tentativa de estupro, porque queria conhecer exatamente quem ela iria enfrentar, e por isso procurou o partido.

“Eu iria saber com quem eu estava brigando. Marco Feliciano tem tudo que eu não tenho. Ele tem igrejas a favor dele, ele tem foro privilegiado, é deputado e tem dinheiro. Ele tem exatamente tudo que eu não tenho”, disse.

“Não seria o normal ir imediatamente à delegacia?”, questionou Cabrini. “Seria o normal, mas nós moramos no Brasil, não é?, retrucou a estudante.

Na visão de Feliciano, se as alegadas agressões tivessem ocorrido, ela teria marcas visíveis pelo corpo: “Se isso tivesse acontecido, é tanta coisa… por exemplo: eu dei murro, dei chute, puxei pelo cabelo… Era para ela estar destroçada”, argumentou.


Contexto


Cabrini, que no início da reportagem havia mostrado o apartamento funcional de Marco Feliciano, destacou que na sala do imóvel há uma réplica do quadro Monalisa, de Leonardo da Vinci, e questionou Patrícia Lélis sobre como era a decoração do local, uma vez que ela diz ter estado lá, e ela citou os quadros que o pastor mantém com fotos da família, mas não citou a pintura mais famosa do mundo.


A estudante também descreveu o formato do apartamento, que foi construído à época da fundação de Brasília e segue um padrão arquitetônico. “Quando Patrícia me descreve o apartamento de Feliciano, a maior parte dos detalhes dos quais ela se lembra, batem com os que observei. Com uma única e importante exceção: ela não menciona o quadro, uma cópia da célebre Monalisa, que chama muita atenção na sala de estar”, diz Cabrini na narração da reportagem.


Registro


O jornalista mostrou como é o procedimento de acesso ao prédio onde ficam os apartamentos funcionais dos deputados, e conversou com um funcionário da segurança, que explicou que todos que não são moradores precisam registrar o nome, documento e horário de chegada e saída, sem exceção. Cabrini também foi à Câmara dos Deputados para consultar o arquivo desses registros, mas não encontrou o nome da estudante.

No entanto, Patrícia disse que nunca precisou se registrar nas vezes que alega ter ido ao local, para reuniões com outros militantes do partido.

Para o pastor, o registro das visitas dela não existe porque ela nunca foi ao seu apartamento: “Primeiro, o Boletim diz um endereço que não é aqui. Isso tem que ficar bem claro […] Ela fez dois boletins de ocorrência e em cada um deu um endereço. É estranho. Esse caso vem se arrastando há mais de 40 dias, então ela não se enganou, tem alguma coisa errada. Ela não conhece esse apartamento, não conhece esse endereço. É mentira”, frisou.
Prova

A estudante acusa Feliciano de tê-la atraído para o apartamento funcional no dia 15 de junho, data em que supostamente teriam acontecido a agressão e a tentativa de estupro. No entanto, o pastor provou que não estava no local no horário em que a jovem afirma que os crimes aconteceram.

“Às nove da manhã, eu tinha [na agenda] a Comissão de Educação no Seminário Nacional dos 2 anos do Plano Nacional de Educação, no auditório Nereu Ramos. E às nove da manhã eram vários compromissos no mesmo horário, então eu tinha que escolher um. Às nove da manhã eu tive uma audiência com o ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira [PTB-RS]. Conseguir uma audiência com um ministro não é nada fácil”, contextualizou o pastor.

O fato novo revelado pela matéria do Conexão Repórter está nas imagens das câmeras de segurança do acesso ao Ministério do Trabalho, que mostram que no dia 15 de junho, às 08h55, o pastor Marco Feliciano entrou no prédio, e deixou o local às 10h00, acompanhado do ministro.

Essas imagens reforçam as alegações de Feliciano, uma vez que o próprio site da Câmara dos Deputados já havia registrado sua presença nas três sessões que aconteceram nessa data.
Extorsão?

“Porque o seu assessor tentaria entrar em acordo financeiro com Patrícia Lélis?”, questionou Cabrini ao pastor.

“Veja só, tudo isso é ilação e mentira. Ele disse que não houve nada de questão financeira”, disse Feliciano.

A reportagem foi gravada no início da última semana, e à época ainda não haviam surgido os vídeos em que ela fala francamente sobre os valores com Talma Bauer, chefe de gabinete do pastor, e o jornalista Emerson Biazon.

Quando questionada por Cabrini sobre a existência de valores na negociação por seu silêncio, ela disse desconhecer: “Não! Se alguém pediu ou negociou alguma coisa em meu nome que responda por seus atos”.

Biazon, apontado como um dos intermediadores que Patrícia Lélis teria usado para, supostamente, fazer com que Bauer deixasse de procurá-la – os outros dois seriam Arthur Mangabeira e Marcelo Machado – também conversou com Cabrini, e disse que ajudou a estudante a procurar jornalistas para tentar ganhar dinheiro com a venda da denúncia.

“Emerson, já que ninguém quer pagar pela matéria, eu vou pegar os R$ 10 mil do Bauer e pronto, eu calo a boca. Pelo menos assim eu fico com o dinheiro, pago as minhas contas e eu sigo a minha vida. Você consegue arrumar um emprego pra mim em São Paulo?”, teria dito a estudante a Biazon.


Valores


O primeiro intermediador usado por Patrícia teria sido Arthur Mangabeira, de acordo com Biazon: “Ele tinha pedido 1 milhão, depois caiu para 300. Isso tudo quem me contou foi o Bauer. E depois fechou em R$ 50 mil. O Bauer foi lá no Rio de Janeiro e pagou os R$ 50 mil em troca de calar a boca, colocar pedra em cima […] Só que ele ficou com todo o dinheiro, não repassou nada para ela. A Patrícia ficou sabendo. [Mangabeira disse] ‘eu tenho um presente aqui que o Bauer mandou te entregar, que é R$ 10 mil’. Ele queria ficar com 40, tanto que ele já ficou com 50, não devolveu”, afirmou.

Feliciano afirmou que não conhece a origem do dinheiro: “Eu quero saber, me conte! Eu não tenho dinheiro nem para mim. Não autorizei, isso é tudo mentira. Pode vasculhar as minhas contas. [O Bauer] não tinha autorização, porque ele não deu. É mentira. Ele disse que é mentira, não é nada, não aconteceu nada”, disse o pastor.

Cabrini, a essa altura, interrompeu: “Ele disse que nunca deu dinheiro?”. E o pastor reiterou: “[Ele diz que] nunca deu dinheiro, isso não saiu dele, esse rapaz apareceu com esse dinheiro do nada. Eu queria saber disso [a origem do dinheiro]. Alguém está por trás disso”, suspeitou.


Bauer


Na entrevista, o assessor parlamentar revelou que a negociação foi conduzida por ele sem o conhecimento de Feliciano: “Eu, como chefe de gabinete, tive que tomar minhas atitudes, que eu achava por bem, e não comuniquei a ele essas negociações porque tava indo muito bem. Peguei das minhas economias e fiz o que ela queria”.

Biazon, no entanto, não acredita que Feliciano estivesse desinformado: “Ele [Bauer] é o assessor do deputado, ele veio para resolver o caso, então com certeza sabia de tudo. Sabia, porque assim, o celular dele, o tempo todo, falando com o Marco. Toda hora eu o via chamando o Marco, via WhatsApp. Não dava para ficar lendo as coisas, mas era ele”, comentou.

Já Patrícia Lélis, mais uma vez, acusou Feliciano: “Eu peguei o telefone e falei ‘o que você quer?’. Aí ele falou assim ‘querida, minha filha, me ajuda aí? Eu tenho três filhas. A minha filha do meio toda hora está procurando as coisas na internet. Me ajuda, eu tenho filhas, eu tenho igrejas’”.

“O seu assessor manteve vários encontros, e nesses encontros foram oferecidas quantias pelo silêncio dela”, disse Cabrini ao pastor. “Eu não sei disso. Ele diz que não. Ela diz que sim. Eu só fiquei sabendo do caso, que ele estava se encontrando com ela, por questão que veio à tona através das mídias sociais”, argumentou Feliciano.

A versão de Feliciano é corroborada por seu chefe de gabinete: “Das negociações, não. Sabia do fato que foi noticiado, mas da minha atitude ele não sabia, porque eu iria colocar para ele no final”.


Cárcere privado e coação


O delegado da Polícia Civil de São Paulo, Luiz Roberto Hellmeister, arquivou a denúncia feita pela estudante contra Talma Bauer, e explicou o motivo: “Fomos vendo que ela não estava cerceada da liberdade em momento nenhum, porque ela saía, foi em restaurantes – em companhia do Bauer, de Emerson e do Marcelo, que eu ouvi ontem”, afirmou.

Patrícia disse que Bauer estava armado nas vezes em que se encontraram, mas Biazon nega. “Nunca vi ele armado. Quando eu cheguei [para depor] que o delegado sentou […] que eu peguei e coloquei o pacote em cima da mesa, ele falou ‘o que é isso?’, e eu falei ‘o dinheiro’. Ele: ‘Que dinheiro?’. Ué? É o dinheiro que o Bauer deu, uma parte, porque ele ficou de depositar, dar o restante na segunda-feira para a Patrícia, que é o valor de R$ 50 mil”, afirmou o intermediário.

Bauer confirmou que entregou a quantia, que terminou apreendida pela Polícia: “Ela pediu R$ 20 mil, e foi aceito por causa disso, para evitar o mal maior”, disse.

Emerson Biazon explicou que passou a gravar os encontros às escondidas como forma de autodefesa: “Como ela aceitou o dinheiro, eu não sabia aonde isso podia dar. Eu comecei gravar tudo. Vai que alguém me envolve nessa. Que alguém descobre e fala ‘você estava junto’. Eu falo ‘não tava, está aqui a prova, porque eu estava gravando’. Foi por isso que eu gravei tudo, entendeu?”, disse ele a Cabrini.

Na opinião de Bauer, sua decisão de dar dinheiro pelo silêncio da estudante era uma forma de prevenir problemas: “Ela veio, fez o vídeo, depois acho que se arrependeu, pediu dinheiro porque disse que precisava pagar a faculdade… Eu falei, ‘bom, sendo uma coisa que está ao meu alcance, eu faço’. Se ela falasse alguma coisa fora do meu alcance eu não iria… eu achei que o escândalo era muito maior, o mal muito maior, do que o próprio dinheiro. Tem coisas que o dinheiro não compra”.


Repercussão


Cabrini questionou a Patrícia sobre sua visão a respeito de sua acusação: “Você tem consciência do tipo de repercussão que dá uma denúncia como essa perante a própria família do pastor e deputado?”. E ela foi enfática: “Tenho. Tenho conhecimento da que dá na minha também. Da que dá nas pessoas que eu conheço”.

“Você não mentiria para prejudicar o deputado?”, perguntou o jornalista. “Não. O que eu ganho em troca de fazer isso? Nada. Isso é um crime. As pessoas têm que entender que denunciar um crime não é querer acabar com uma pessoa. É denunciar um crime. Não é porque ele é pastor, que ele é deputado, que ele não cometa um crime. Ele comete crime sim, ele é humano, humanos cometem crimes”, respondeu a estudante.


Cadeia


“O senhor teme ser preso?”, interrogou Cabrini ao pastor. “Ser preso? Não, porque não há crime. Não há crime”, respondeu Feliciano.


Na narração da matéria, Cabrini afirma que essa “não é a primeira vez que ela denuncia ter sido vítima de um abuso sexual”, e questionou a mãe da jovem, Maria Aparecida, sobre o caso.

“Esse caso anterior aconteceu na minha casa. E a pessoa a gente nunca tentou descobrir porque eu levei para a delegacia, não encontrei muito apoio”, afirmou.

O jornalista foi adiante e perguntou a ela o que seu “coração de mãe” dizia a respeito das acusações feitas por Patrícia Lélis a Feliciano: “Certeza que aconteceu. Isso eu tenho certeza. Isso é a única coisa que eu tenho certeza”, disse.

Patrícia Lélis contou como teria sido esse estupro. “Era uma pessoa que trabalhava para um… para uma empresa que a minha mãe chamou para consertar a máquina da minha casa, que sempre dava problema, a máquina de lavar”, disse Patrícia.
Esse caso de estupro, que ela alega ter acontecido quando era “uma criança”, seria o mencionado em conversas por WhatsApp que o Gospel+ teve acesso entre a estudante e o pastor. Lá, ela afirma que já foi estuprada, esfaqueou o criminoso e que o caso deu cadeia, além de render traumas pessoais.

Com a alegação da mãe de Patrícia sobre a falta de desfecho para a denúncia, mais uma questão ligada ao caso fica sem resposta coerente.


Novas acusações

“Não, não perdoo. Sendo muito sincera, eu não perdoo. No momento eu não posso perdoá-lo, eu não consigo. No momento o que eu sinto dele é raiva, nojo, ódio. Ele acabou com tudo de mais importante que eu tinha na minha vida. Ele acabou com a minha imagem, acabou com a minha reputação, meu relacionamento, ele acabou com tudo. Hoje, você me perdoa, mas sendo muito sincera, eu não perdoo não”, disse Patrícia.


A estudante fez novas acusações, alegando que outros parlamentares evangélicos foram omissos no caso: “Alguns pastores, que são deputados também, que estavam sabendo do caso, não teve um que ofereceu ajuda. Não teve um. Porque tinha mais gente sabendo. A bancada evangélica em peso sabia”, alegou.
Recado

O pastor Marco Feliciano afirmou que espera que os evangélicos olhem para o caso de forma crítica e justa, pois acredita que a extensão dos danos à sua imagem por causa das acusações feitas contra ele são imensuráveis.

“Quero agradecer a oportunidade que você está me dando. Poucas pessoas me deram essa oportunidade […] [A verdade] vai aparecer. Deus é justo, Deus é Pai. Eu queria encerrar aqui e se você deixar, mandar um recado para os meus irmãos, meus eleitores. A maioria dos meus eleitores são evangélicos. Queria que eles nunca se esquecessem da passagem de José, no Egito. Eu preguei muitas vezes sobre isso para vocês. Inclusive eu tenho uma mensagem chamada ‘O sonho de José’ e um livro sobre isso. Eu contei a história de um menino que foi – incrível – condenado por uma calúnia. A mulher de um homem o acusou de tê-la assediado. Ela tentou agarrar, ele se esquivou e ela ficou com a capa dele na mão. José foi preso. Eu não fui preso, se Deus quiser não serei. Mas publicamente eu já estou destruído”.

Ao final da reportagem, o Conexão Repórter informou que Talma Bauer pediu exoneração do cargo “até que tudo seja esclarecido”.

Assista à reportagem do SBT na íntegra:



Por Tiago Chagas - 
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