Hospital Regional de Altamira alerta população sobre prevenção da doença renal

terça-feira, março 14, 2017

Mais de 200 pessoas foram atendidas durante a campanha “Saúde dos rins: escolhas certas, vida saudável”, promovida pelo Hospital Regional Público da Transamazônica (HRPT), unidade pública gerenciada pela Pró-Saúde Associação Beneficente de Assistência Social e Hospitalar, sob contrato com a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa). A ação foi realizada na sexta-feira, 10/3, em alusão ao Dia Mundial do Rim, celebrado no dia anterior, oferecendo à comunidade palestras educativas, orientação com médicos e nutricionistas, aferição de pressão arterial, teste de glicemia e cálculo de índice de massa corporal (IMC). O objetivo foi alertar a população de Altamira sobre a prevenção da insuficiência renal, problema que atinge uma a cada dez pessoas no País, segundo a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN).

Os atendimentos começaram logo cedo, às 8h30, no pátio da unidade, e se estenderam durante todo o dia. Uma das pessoas beneficiadas pela ação foi o eletricista Izaque de Jesus Costa, de 38 anos. “É sempre bom saber como anda o organismo. A gente trabalha muito e mal cuida da saúde. Eu fiquei preocupado, porque me alimento mal. Por isso, vim atrás das orientações e exames. Não quero ter essa doença que depende de uma máquina”, comenta. A máquina a que o eletricista se refere é a de hemodiálise, uma forma de tratamento a pacientes crônicos. Atualmente, o HRPT atende 94 pessoas no Serviço de Hemodiálise. O hospital é a única unidade pública que disponibiliza o tratamento para usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) na região.

A aposentada Francisca Correa Miranda, de 70 anos, que também recebeu atendimento, saiu satisfeita com o resultado. Ela contou que já controla a ingestão de sal e açúcar para evitar problemas de saúde. “Gosto de comida feita em casa, comida com caldo. Não como fritura, evito refrigerantes e conservantes. Gosto de peixe e galinha cozida, e bebo cerca de dois litros de água por dia”, disse a usuária.

Durante a ação, foram identificadas 20 pessoas com risco para desenvolver a insuficiência renal crônica. Elas foram encaminhadas para iniciarem tratamento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e nos Postos de Saúde. Foi o caso da professora aposentada Oneide Barbosa dos Santos, de 68 anos, que, durante o atendimento, descobriu ser diabética. “Com a glicemia alta, o paciente pode desenvolver uma complicação que ameace a vida. O ideal é fazer o controle da glicose com auxílio de medicamento. Em casos como esse, é necessária a intervenção urgente”, explicou o nefrologista do HRPT, Eduardo Anjos.

De acordo com o médico, além do diabetes, também são fatores de risco a obesidade e o sedentarismo. “Pessoas propensas a desenvolverem a insuficiência renal crônica, geralmente, são aqueles acima dos 50 anos de idade e que estão acima do peso, mas, especialmente, pessoas obesas. Aqui, mesmo, nós temos pacientes obesos, e os exames traduzem o perfil desse paciente: pessoas com o diabetes mellitus, hipertensas, sedentárias, fumantes e sem o controle da alimentação”, explicou Eduardo.


Para prevenir, segundo o médico, deve-se fazer exercício físico regularmente, ter uma alimentação saudável, beber, pelo menos, dois litros de água diariamente, não usar medicamentos sem prescrição médica e evitar o consumo de bebidas alcoólicas, refrigerantes e sal e açúcar em excesso.

Insuficiência

A doença renal crônica inibe a capacidade dos rins de filtrarem as impurezas do sangue, como resíduos, sais e líquidos. Dependendo da gravidade do caso, o paciente necessita fazer hemodiálise, procedimento no qual uma máquina executa a função do órgão, filtrando o sangue e devolvendo-o limpo ao corpo.

Os principais sintomas da doença são pressão alta; inchaço ao redor dos olhos e nas pernas; fraqueza constante; náuseas e vômitos frequentes; dificuldade de urinar; queimação ou dor quando urina; urinar muitas vezes, principalmente à noite; urina com aspecto sanguinolento ou com presença de espuma; dor lombar e histórico de pedras nos rins.

Sabendo das restrições que a doença impõe ao paciente, o operador de serviços pesados, Silvinho Darley de Miranda, de 47 anos, também compareceu à ação. Há dez anos, ele retirou um rim e, desde então, faz o controle da alimentação. “É muito bom ter acesso a iniciativas como essas. É preciso fazer mais vezes. É preciso levar informação para a população. No meu caso, por exemplo, depois da retirada do rim que não funcionava mais, a minha vida melhorou. Mas tive uma série de restrições e precisei me readaptar”, afirmou o operador.

Por Thaís Portela | Pró Saúde
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