Hospital Regional de Altamira sedia treinamento sobre doação e captação de órgãos

terça-feira, março 28, 2017

Com a finalidade de sensibilizar os profissionais da área da saúde, implantar a cultura de doação de órgãos e captar potenciais doadores na região da Transamazônica/Xingu, o Hospital Regional Público da Transamazônica (HRPT), em Altamira, em parceria com a Federação das Indústrias do Pará (Fiepa), sediou o curso sobre ''Processo de Doação e Transplante'' para profissionais multiprofissionais membros da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT).

Na ocasião, a coordenadora do Banco Social de Doação de Órgãos de Transplantes da Fiepa, médica Márcia Iasi, trouxe sua equipe de Belém (PA) para esclarecer o passo-a-passo da abordagem familiar, a importância da doação, e como funciona o processo de captação de órgãos no Brasil. O treinamento visa também estimular a efetivação e reestruturação da CIHDOTT, do Hospital Regional de Altamira, para que a comissão passe a captar órgãos e, assim, elevar o número de transplantes na região Norte.

“A entrevista familiar foi uma das demandas que surgiu aqui, que é a grande ferramenta para o sucesso da doação. Há a necessidade de qualificar os profissionais da saúde para que estejam habilitados para conversar com a família em momentos de perda”, comenta a médica Márcia Iasi. Ela também falou sobre a necessidade de sensibilizar as famílias dos potenciais doadores. “Nós precisamos do consentimento familiar e, pela ausência de informações ou pelo não entendimento da população sobre o processo da morte encefálica, os números da região Norte ainda não são satisfatórios”, explica a médica.

Durante o treinamento, a assistente social Vanessa Pimentel mostrou as estratégias relacionadas à entrevista familiar para doação de órgãos. “Nós demos algumas dicas de como conduzir, como acolher as famílias quando o assunto é doação de órgãos, como é feita a comunicação de má notícia com qualidade e de forma humanizada. Nosso objetivo é tentar aumentar o índice de aceite familiar para doação de órgãos cresça com indicadores significativos”, comenta.

Cabe ao Ministério da Saúde a gerência do sistema de transplantes, que trabalha com captação de órgãos e tecidos. Segundo o Banco Social, o desenvolvimento do País foi desigual, por isso as taxas de doações são baixas na região Norte: menor que cinco doadores por milhão de habitantes. Números que contrastam em relação às regiões sul e sudeste: 23 doações por milhão de habitantes. “Trabalhar para elevar os números de doadores na região Norte e, consequentemente a transplantação, é o objetivo do Banco Social”, diz a médica Márcia Iasi.

Para efetivar a doação com sucesso, o processo exige que haja a retirada dos múltiplos órgãos em tempo hábil. Por exemplo, aqueles que são vascularizados, como pulmão, coração, intestino, fígado, pâncreas e rins – é necessário que o doador esteja bem mantido, a morte documentada e, o importante, que o coração esteja batendo. Outro critério a ser respeitado é o fator tempo: os múltiplos órgãos devem ser retirados em tempo hábil para serem transplantados.

No Brasil, depois de detectada a morte cerebral e após consentimento da família, a legislação autoriza a doação de órgãos. A partir daí gera-se no Sistema Nacional de Transplante (SNT), que determina quem vai receber os órgãos doados. Por isso, é necessário respeitar o tempo de retirada dos órgãos. Para se ter uma ideia, o tempo de retirada do órgão para o receptor específico varia dependo do órgão. Por exemplo, o coração, entre retirada do doador e transplante no receptor, de acordo com a médica Márcia Iasi, não pode ultrapassar seis horas.


Participaram do treinamento 15 profissionais, dentre eles, médicos, enfermeiros, assistentes sociais e psicólogos que hoje são treinados pelo Hospital Regional do Baixo Amazonas (HRBA), em Santarém. O HRBA já realiza captação com equipe do próprio hospital e seis transplantes de rim já foram realizados, desde novembro de 2016. Para a diretora de Enfermagem da unidade, Luciana Madruga, o assunto merece atenção, já que há a necessidade do aumento no número de transplantes no Estado. “Transplantes salvam vidas, dão qualidade de vida a milhares de pessoas que estão com a sua dignidade reduzida, sem espaço para se sentirem produtivas. Portanto, essa decisão da doação é da sociedade. Essa terapêutica só existe se as pessoas participarem. O transplante é o único tratamento que depende do sim da sociedade”, frisa a diretora.

Por Thais Portela

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