Incrível: primeiro embrião híbrido de humano e porco foi criado em laboratório

segunda-feira, março 06, 2017

Pela primeira vez, pesquisadores conseguiram desenvolver células humanas dentro de embriões de porcos no laboratório, criando híbridos descritos como quimeras pelos pesquisadores.

Ainda nos primeiros dias, o experimento poderia um dia ser utilizado realizar transplantes, salvando milhares de vidas. No experimento, pesquisadores americanos injetaram células-tronco humanas em embriões de porcos. Esses embriões híbridos foram transferidos para porcas e desenvolvidos até o primeiro trimestre.

Mais de 150 dos embriões viraram quimeras, o que significava que haviam desenvolvido precursores de órgãos, incluindo o coração e o fígado, mas continham uma pequena quantidade de células humanas – cerca de uma em cada 10.000 das células dos híbridos eram humanas. Essa é uma prova de que híbridos são possíveis. O objetivo é encontrar uma maneira de usar essas peças cultivadas em laboratório para transplantes.

“Nossas descobertas podem significar esperança para o avanço da Ciência e da Medicina, oferecendo uma capacidade sem precedentes para estudar o desenvolvimento inicial do embrião e a formação de órgãos, bem como um novo caminho para terapias médicas“, disse o membro da equipa Juan Carlos Izpisúa Belmonte, do Instituto Salk, na Califórnia. Belmonte e sua equipe realizaram experimentos para criar quimeras no laboratório em 2015. Seu estudo integrou com sucesso células-tronco humanas nos embriões do rato, mostrando que elas poderiam desenvolver dentro de uma outra espécie.

Na Biologia, o termo quimera descreve o desenvolvimento natural ou artificial de um organismo contendo células de outro. “Isso nos fornece uma ferramenta importante para o estudo de espécies de evolução. Isso nos oferece a capacidade de fazer órgãos humanos para transplante“, explica Belmonte. Com base em suas pesquisas anteriores, a equipe agora anunciou que eles realizaram com êxito uma série de novas experiências.


O embrião foi o ponto culminante dessas experiências, mas havia outros dois passos importantes ao longo do caminho. Primeiro, a experiência da equipe envolvida usando CRISPR-Cas9, uma nova ferramenta de edição de genes, para desligar os genes que produzem pâncreas em ratos. Para isso, eles inseriram células-tronco de rato nos ratos que continham a informação genética necessária para desenvolver um pâncreas.

Estes embriões, apesar de terem pâncreas diferentes das demais espécies, desenvolveram-se normalmente, que levou os cientistas a realizar experimentos semelhantes, como o crescimento de um conjunto de olhos de ratos. Um segundo experimento tentou adicionar células-tronco de ratos a um embrião de porco em estágio inicial. Curiosamente, após a implantação dessas células em suínos para a continuação da gestação, não havia sinal das células-tronco de roedor.

No terceiro experimento, os cientistas adicionaram as células-tronco humanas aos conjuntos de células embrionárias do porco e às células embrionárias da vaca, dando forma a duas quimeras novas. Depois de alguns dias, investigaram as células e descobriram que as células humanas ainda estavam crescendo. Todas essas experiências levaram ao maior achado da equipe: a habilidade de criar um híbrido de humano com porco que continuaria a se desenvolver dentro do útero de um porco.

Para isso, a equipe usou as células tronco pluripotentes (IPS) dos humanos e as induziu em um embrião de porco. Eles implantaram os embriões em porcas e permitiram que as células gestassem durante quatro semanas. Depois desse tempo, decidiram ver como tudo estava indo. Eles descobriram que algumas das células humanas dentro dos embriões estavam começando a se especializar e tornar-se precursoras de tecido humano, indicando que elas estavam vivendo e reproduzindo dentro do embrião de porco.

Isso é importante por que os suínos crescem o suficiente para desenvolver órgãos que seriam de tamanho adequado para um ser humano. Embora as células-tronco humanas não funcionem no interior dos embriões de suínos, esta é a primeira vez que uma quimera humano e porco foi criada com sucesso no laboratório. Esse foi um grande passo em direção a verdadeira finalidade da equipe, que tem o objetivo de descobrir como cultivar órgãos. “É claro que o objetivo final da pesquisa quimérica é saber se podemos usar tecnologias de células-tronco e de edição de genes para gerar tecidos e órgãos humanos geneticamente compatíveis. Estamos muito otimistas de que o trabalho conduzirá ao sucesso final“, disse Belmonte.



Este tipo de pesquisa traz diversas questões de segurança e ética. Uma objeção significativa é a possibilidade de vírus ultrapassarem mais facilmente a barreira entre as espécies. Há também o fator ético de uma mistura tão intrincada de tecidos humanos e animais, bem como a preocupação de que esses híbridos possam desenvolver um cérebro humano.

[ Science Alert ] [ Fotos: Reprodução / Science Alert ]

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