O estado matou a liberdade dos açougues em prol dos empresários corporativistas

segunda-feira, março 20, 2017

Há dez anos havia uma predominância muito maior de açougues de bairro. Eram comércios na maioria das vezes confiáveis e a procedência das carnes normalmente não era tão duvidosa quanto a vendida no supermercado.

Geralmente os donos desses açougues eram pais de família que manipulavam a carne com certo rigor, contratavam gente da vizinhança pra dar aquela força no comércio, faziam o bom e velho fiado pra quem não podia pagar na hora, enfim, era um tempo onde havia maior proximidade entre os produtos de consumo e o consumidor.

Mas eis que apareceu o governo e suas “bondades”. E aí o açougueiro foi para o abismo com uma série de taxações, regulações, decretos, portarias, leis inúteis, legislações pesadas e tudo o mais necessário para acabar com um negócio promissor e confiável sob a desculpa de proteger os clientes daquele “malvadão” que – absurdo! – quer trabalhar e lucrar com o comércio de carnes.

E são tantas regras “protecionistas” que, sabendo da impossibilidade dos donos em cumpri-las de forma plena, os fiscais do governo se aproveitam da situação para caçar “irregularidades” como “a cor da parede”, pedindo aquele salário mínimo para assinar o alvará de funcionamento.

Enquanto isso, o estado isentou as grandes empresas de impostos e multas sempre que possível, bem como das regras sanitárias que o açougueiro da esquina tem que cumprir. Enquanto o dono do açougue do bairro era impedido de obter uma mísera linha de crédito para investir em seu negócio, o governo fornecia uma gorda verba para as grandes empresas por meio do BNDES.

E veio o período maquiavélico de “aos amigos os favores, aos inimigos a lei”, onde não há nada que impeça as grandes empresas. As dívidas caíam de 1 bilhão para 320 milhões, a “fiscalização” sanitária se tornou aliada e o Ministério da Agricultura passou a conceder seus selos livremente para os amigos do governo. Claro que isso teve um custo, pago com aquela verba pra campanha eleitoral para “resolver” tudo.

E o resultado não poderia ser diferente: consumimos carne podre, algumas delas até com papelão dentro. Contaminamos nossos pais, irmãos, filhos, parentes, amigos… nos baseando na confiança em um selo estatal e no sorriso técnico do Tony Ramos afirmando que “carne confiável tem nome!”.

O corporativismo, ou seja, a aliança entre estado e grandes empresários, nos trouxe resultados deploráveis. Mas o malvado continua sendo o seu José da esquina, aquele que queria vender suas carnes e terminou fechando por excesso de burocracia estatal. Enquanto isso, os corporativistas da JBS, BRF e companhia cairão no esquecimento em breve.

O corporativismo brasileiro é um desastre sem fim.


ILISP
Clique no botão abaixo e Inscreva-se no nosso canal do Youtube!

Destaque

Veja Também

Acidentes (630) Altamira (921) Anapu (46) Belo Monte (220) Belo Sun (13) Brasil (1611) Brasil Novo (624) Celebridades (74) Ciência (172) Cinema (66) Clima e Tempo (35) Curiosidades (705) Desaparecidos (10) Eleições (164) Esporte (69) Governo Federal (299) Ibama (56) Imprensa (105) Internet (330) Itaituba (159) Justiça (594) Marabá (36) Medicilândia (155) Mundo (748) Música (121) Norte Energia (185) Novo Repartimento (21) Pacajá (37) Pará (743) Placas (42) Polícia (1952) Política (990) Porto de Moz (20) Religião (520) Rurópolis (64) Santarém (197) SBT (289) Souzel (33) Tecnologia (212) Televisão (340) Transamazônica (338) Tucuruí (37) Uruará (283) Vitória do Xingu (119)