EUA lançam ataque com mais de 50 mísseis contra base aérea do governo sírio

sexta-feira, abril 07, 2017
Os Estados Unidos atacaram nesta quinta-feira (6, hora de Brasília) uma base aérea do governo sírio. A ofensiva, com mais de 50 mísseis, foi realizada em retaliação ao ataque com armas químicas contra civis nesta semana pelo presidente Bashar al-Assad.

Esta foi a primeira ação dos EUA diretamente contra o governo de Assad, e é a mais dramática ordem militar de Donald Trump desde que se tornou presidente, em janeiro.

Segundo informou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), a ação teria deixado quatro militares mortos, incluindo um general, e destruído a base aérea de Shayrat, na cidade síria de Homs, que seria o alvo da operação. O local foi escolhido porque os americanos acreditam terem partido dali os aviões usados para o ataque com gás sarin, que matou 86 pessoas.

Os mísseis utilizados, Tomahawk, de médio alcance e invisíveis a radares, foram disparados de dois navios de guerra norte-americanos posicionados no Mar Mediterrâneo. Posteriormente ao ataque, a Marinha do país divulgou imagens dos lançamentos a partir dos dois navios destroyer utilizados.
Imagem fornecida pela Marinha norte-americana mostra lançamento de míssil a partir destroyer americano em ataque a base aérea síria | Ford Williams/Marinha dos EUA/AP
Em pronunciamento transmitido pela TV, Donald Trump afirmou tratar-se de um "ataque vital de segurança nacional". Ao destacar que o líder do regime sírio atingiu com gás neurotóxico "homens, mulheres e crianças indefesos", Trump disse que "todos os países civilizados deveriam contribuir para o fim do conflito sírio" e "acabar com o massacre e derramamento de sangue na Síria".

O ataque de surpresa marcou uma inversão na estratégia americana adotada para o conflito no país, em guerra civil desde 2011, e ocorreu enquanto Trump estava reunido com o presidente chinês, Xi Jinping, tratando de um outro tema crucial para a segurança dos EUA: o programa nuclear norte-coreano. As ações de Trump na Síria poderiam ser um sinal para a China de que o novo presidente não tem medo de tomar decisões militares unilaterais, até mesmo se países-membros do Conselho de Segurança, como a China, se colocarem contra um eventual ataque.

A ofensiva não foi anunciada com antecedência, apesar de Trump e outros oficiais militares terem elevado o tom contra Assad nesta quinta.

Rússia condena ataque, legisladores apoiam


O presidente russo, Vladimir Putin, considerou o bombardeio uma "agressão contra um estado soberano", baseada "em pretextos inventados", informou o Kremlin nesta sexta-feira (7), citado pelas agências russas.

"O presidente Putin considera que os bombardeios americanos contra a Síria são uma agressão a um Estado soberano, que violam as normas do direito internacional", declarou o porta-voz do Kremlin Dmitri Peskov, afirmando que a ação foi baseada em "pretextos inventados".

Vários legisladores republicanos e democratas apoiaram a decisão de Trump, mas pediram ao presidente que esclareça sua estratégia militar.

Este ataque "foi apropriado e justo", declarou o presidente da Câmara de Representantes, o republicano Paul Ryan.

O líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, declarou que "fazer Assad pagar um preço quando comete atrocidades como estas é algo bom", mas que "a administração Trump deve adotar uma estratégia e consultar o Congresso antes de realizar" tais ações.

Impasse no Conselho de Segurança

Horas antes do ataque, o Conselho de Segurança das Nações Unidas não conseguiu obter um acordo sobre uma declaração envolvendo o ataque com armas químicas, enquanto circulavam informações sobre um eventual bombardeio americano à Síria. No final da reunião, o embaixador da Rússia, Vladimir Safronkov, advertiu para os riscos de um ataque americano à Síria. "Se ocorrer uma ação militar, toda a responsabilidade recairá sobre os que iniciaram uma empresa tão trágica e duvidosa", disse o diplomata russo na saída da reunião.
Base de Shayrat, na cidade de Homs, que foi atacada pelo governo norte-americano | DigitalGlobe/Via Reuters
O secretário de Estado americano, Rex Tillerson, tinha prometido "uma resposta apropriada às violações de todas as resoluções prévias da ONU e das normas internacionais". "O papel de Assad no futuro é incerto com os atos que cometeu. Parece que não deve desempenhar qualquer papel para governar o povo sírio", declarou Tillerson ao receber na Flórida o presidente chinês, Xi Jinping.

A representante americana no órgão, Nikki Haley, já tinha advertido durante o dia de ontem que seu país poderia tomar algum tipo de medida unilateral se o bloqueio na ONU persistisse.

Esta é a primeira ordem militar de Trump para fazer uso da força desde que chegou à Casa Branca, já que outras operações na Síria, Iêmen e Iraque foram realizadas sob autorização delegada a seus comandantes.

Fonte: UOL

Destaque

Inscreva-se no nosso canal do Youtube!

Veja Também

Acidentes (668) Altamira (967) Anapu (48) Belo Monte (221) Belo Sun (13) Brasil (1689) Brasil Novo (636) Celebridades (83) Ciência (180) Cinema (69) Clima e Tempo (40) Curiosidades (790) Desaparecidos (10) Eleições (184) Esporte (72) Governo Federal (320) Ibama (56) Imprensa (110) Internet (350) Itaituba (168) Justiça (636) Marabá (38) Medicilândia (163) Mundo (785) Música (126) Norte Energia (186) Novo Repartimento (23) Pacajá (39) Pará (798) Placas (44) Polícia (2037) Política (1070) Porto de Moz (25) Religião (536) Rurópolis (69) Santarém (204) SBT (293) Souzel (35) Tecnologia (220) Televisão (352) Transamazônica (345) Tucuruí (40) Uruará (296) Vitória do Xingu (124)