Crescimento de Jair Bolsonaro inclui Brasil em onda conservadora global

terça-feira, maio 02, 2017
Nenhum outro resultado é tão simbólico quanto o crescimento expressivo das intenções de voto em Jair Bolsonaro (PSC) –seis pontos percentuais em relação a dezembro do ano passado e 11 pontos considerando-se a última pesquisa de 2015.
Deputado Jair Bolsonaro em clube de subtenentes e sargentos do exército na cidade do Rio de Janeiro.
O candidato fica empatado com Marina Silva na segunda colocação nas situações em que Lula é incluído e se isola nessa posição quando tanto o petista quanto o tucano João Doria são excluídos.

Além de figurar como consequência do aumento de rejeição aos tucanos Aécio Neves e Geraldo Alckmin, alvos da Lava Jato, a performance recente de Bolsonaro coloca o Brasil no mapa da onda de extrema direita, que pautou as últimas eleições nos EUA e na Europa.

A candidatura encontra ambiente adequado na tendência conservadora de parcela significativa do eleitorado brasileiro, especialmente sobre valores e comportamento, revelada pelo Datafolha ao longo dos anos –por meio da concordância com temas polêmicos, a maioria da população (55%) pende à direita.

Em termos demográficos, a intenção de voto no deputado reflete seu discurso – é muito maior entre os homens do que entre as mulheres (diferença média de dez pontos percentuais) e diminui à medida que aumenta a idade do eleitor. O apoio a Bolsonaro se concentra, em maior grau, entre os que nasceram no processo de redemocratização, após o período do regime militar. Entre os que têm 60 anos ou mais, menções a ele caem para metade da média.

No cruzamento socioeconômico há aparente paradoxo. Os estratos com mais escolaridade e renda são tanto os que mais apoiam como os que mais rejeitam Bolsonaro –nesses segmentos, ele vai melhor nas intenções de voto, mas a rejeição ao seu nome supera a sua média em pelo menos 13 pontos percentuais.

Ao se combinar as duas variáveis –educação e renda– chega-se ao nicho de maior penetração do deputado. Bolsonaro consegue apoio especialmente nos que têm o nível médio e superior de escolaridade associados à uma renda familiar acima de cinco salários mínimos. Nesse subconjunto elitizado, seu maior adversário é Doria.

Lula, por outro lado, triunfa na combinação de baixas renda e escolaridade.

O desafio de Bolsonaro é adequar o discurso polêmico aos diferentes segmentos do eleitorado. Pelos estudos do Datafolha, homofobia e machismo podem não chocar tanto os mais pobres e menos instruídos, mas tendem a afastar parcela dos mais escolarizados e mais ricos, que se mostram mais liberais em relação ao comportamento.

E a defesa de métodos duros de combate à violência, que recebem por um lado o apoio da maioria da população, devem, por outro, levar ainda mais medo aos segmentos carentes do eleitorado, que temem sim os bandidos, mas, diferentemente dos mais ricos, se preocupam também com a polícia.

A tarefa é difícil, mas Donald Trump –com sua pós-verdade e seu micromarketing– já provou que feitos improváveis são possíveis.


Com informações de Ricardo Borges/Folhapress 

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