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MST e CUT planejam levar 40 ônibus para vigília perto da PF

Grupo montou acampamento a uma quadra do prédio onde Lula está preso
Acampados: manifestantes não puderam ficar na porta da PF porque o perímetro ao redor da superintendência está fechado - Vinicius Sgarbe/AGÊNCIA O GLOBO
Assim que o ex-presidente Lula se entregou para a Polícia Federal, em São Paulo, no início da noite deste sábado, militantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e do Movimento dos Sem-Terra (MST) começaram a montar um acampamento a uma quadra de distância da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, onde o petista começou a cumprir pena pela condenação no caso do tríples do Guarujá.

MST e CUT calculam que ao menos 40 ônibus com manifestantes devem chegar ao local durante o domingo. O movimento pretende, ainda, fazer mobilizações em todo o país na quarta-feira para pressionar o Supremo Tribunal Federal (STF) a julgar uma liminar que impede a prisão após condenação em segunda instância e pode beneficiar Lula.

Na manhã deste domingo, chegaram seis ônibus com militantes, vindos do interior do Paraná e de São Paulo. A expectativa de Neudi de Oliveira, da Frente Brasil Popular, é que o acampamento receba cerca de 1,5 mil pessoas até o meio-dia. Os manifestantes não puderam ficar na porta do prédio policial onde está Lula porque o perímetro em volta da superintendência foi fechado.





Ao contrário da animosidade de sábado, quando jornalistas foram atacados com xingamentos e ovos, o clima é de tranquilidade no acampamento do MST e da CUT. Os manifestantes elegeram porta-vozes que serão responsáveis pelo contato com a imprensa. A organização do grupo se assemelha a de acampamentos de sem-teto do interior do país. Os militantes se dividem no cumprimento de tarefas. Entre 6h e 7h, por exemplo, houve distribuição de café e pães para os acampados - o convite foi estendido a jornalistas. Às 10h30, já se começava a preparar o almoço, que teria macarronada.

Cordão de isolamento

Um cordão de isolamento feito por policiais militares impede a chegada de manifestantes ao prédio da Polícia Federal, em Curitiba, onde está preso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva desde a noite de ontem. O objetivo é evitar novos confrontos entre apoiadores do petista e agentes da Polícia Federal. Nove pessoas ficaram feridas durante confronto que ocorreu na noite de sábado, quando apoiadores do petista tentaram entrar no prédio e agentes da PF reagiram com bombas de gás lacrimogênio e balas de borracha. Entre os feridos há um policial militar.

O tumulto começou quando o helicóptero que trazia o ex-presidente pousava no heliporto da PF. Segundo o comandante do 20º Batalhão da Polícia Militar de Curitiba, tenente-coronel Mário Henrique do Carmo, o estopim foi a explosão de duas bombas onde estavam os manifestantes favoráveis ao petista. O comandante afirmou que a Polícia Federal reagiu com gás lacrimogêneo.

Em seguida, manifestantes decidiram atirar pedras e paus contra os policias militares que estavam no local. Um deles foi ferido com um soco no rosto. Os PMs então revidaram com tiros de bala de borracha para dispersar a confusão. Carmo afirmou que, apesar do tumulto, o esquema de segurança era adequado para a situação. Ainda assim, alguns incidentes foram reportados ao longo do dia, como cenas de hostilidade contra profissionais da imprensa e não houve intervenção por parte dos policiais.

Neste domingo, a Polícia Militar isolou cerca de um quarteirão ao redor do prédio da PF para impedir a aproximação da manifestantes. A circulação de veículos também é restrita. Mesmo assim, pessoas que foram levar sua solidariedade ao ex-presidente permanecem atrás do bloqueios.

Com informações de O Globo