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Bolsonaro faz sabatina própria no mesmo horário de Alckmin na GloboNews


O deputado federal Jair Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PSL, realizou na noite desta quinta-feira (2) seu próprio programa de entrevistas pela internet, batizado de "O Brasil Entrevista".

A sabatina de Bolsonaro aconteceu no mesmo horário em que ele havia confirmado sua participação no programa Central das Eleições, da GloboNews. Ao canal, o candidato teria alegado que, por problemas de agenda, não poderia mais comparecer. Mas, já no final de sua própria sabatina, Bolsonaro afirmou que o fato de ele ter "caído na quinta e Alckmin na sexta" (se referindo às datas de sorteio entre os candidatos) seria uma estratégia da GloboNews para mostrar "que eu sou incompetente". "Mas tem coisa que eu não sei mesmo", disse.



Bolsonaro deve participar do programa nesta sexta (3), após Geraldo Alckmin, pré-candidato pelo PSDB, ter aceitado trocar as datas das entrevistas. O tucano foi o entrevistado desta quinta e falava no canal fechado - confirmou, inclusive, que a senadora Ana Amélia (PP-RS) será sua vice - ao mesmo tempo em que o deputado dava entrevista via rede social. As duas atrações começaram e terminaram quase simultaneamente.

O candidato do PSL confirmou na entrevista que comparecerá ao Central das Eleições e que irá "desarmado", mas alertou que, em caso de "pegadinha", "vamos para o vale-tudo". "Já sei a vida particular de cada um, a vida pregressa", disse, se referindo ao grupo de entrevistadores do programa.



Transmitida ao vivo em suas páginas do Facebook e do Youtube, a sabatina de Bolsonaro teve a participação de Paulo Guedes, coordenador do programa econômico da candidatura, do seu filho e deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), e dos influenciadores digitais Allan dos Santos, Bernardo Küster e Flávio Morgenstern. Também foram respondidas perguntas de internautas que estavam acompanhando a live.

Criticando a atuação da mídia em entrevistas a Bolsonaro, um dos participantes perguntou ao candidato, logo no início do debate, quais seriam suas propostas de governo para "questões que não foram discutidas ainda, como saúde, educação".

Bolsonaro não apresentou propostas específicas, mas disse que não é possível fazer política da forma como acontece hoje, quando o presidente eleito "não indica quase ninguém [para ministérios], a maioria é indicada pelos outros".

"E nisso, o presidente está influindo no trabalho do Legislativo", disse. Para Bolsonaro, não adianta "um candidato qualquer com uma proposta maravilhosa para a economia" sugerir mudanças. "Depois, chega lá um Renan Calheiros", afirmou, em referência ao senador emedebista.

"O Bolsonaro pode ser o primeiro presidente que vai amputar seus próprios poderes. Vai regenerar a classe política", disse Paulo Guedes, coordenador do programa econômico da candidatura de Bolsonaro, ao afirmar que o candidato do PSL irá descentralizar os recursos que, segundo ele, se concentram apenas em Brasília.

"Como vai ter governabilidade? Até o prefeito do PT vai querer votar nele, porque está precisando de dinheiro para fazer hospital, para a segurança", disse. "Essa descentralização dos recursos é o eixo da governabilidade".

Na última terça, Bolsonaro reclamou da "insistência" dos jornalistas que o sabatinaram no dia anterior no programa Roda Viva, da Cultura, em questioná-lo sobre o Regime Militar. Seus aliados também lamentaram que a entrevista tenha tido "poucas perguntas sobre o futuro do nosso país". Ao longo do programa, porém, o presidenciável foi questionado, entre outros assuntos, sobre suas propostas para diminuir a mortalidade infantil, sua opinião sobre o sistema de cotas para negros em universidades e sua ideia para pontos da reforma trabalhista, entre eles os relacionados ao trabalhador rural.

"Audiência de custódia foi invenção do CNJ"


Durante a sabatina com aliados nesta quinta, Bolsonaro criticou a existência das audiências de custódia, quando um preso em flagrante é levado à presença de uma autoridade judicial para que, no prazo de 24 horas, seja avaliada a necessidade e a legalidade da prisão.

"A audiência de custódia foi uma invenção do CNJ [Conselho Nacional de Justiça]", disse o candidato, afirmando que o dispositivo "não é uma lei". "Um presidente de verdade questionaria. Uma Câmara de verdade questionaria".

O candidato, então, estendeu as críticas ao Judiciário. Disse que "não tem cabimento" o Supremo decidir sobre a questão do aborto e afirmou que, muitas vezes, as pessoas ficam "com medo" do Judiciário.

"Não pode ter medo. Tem que respeitar", disse. Ele defendeu que sua proposta de acrescentar dez ministros à bancada da Corte teria como princípio "equilibrar" as decisões tomadas pelos magistrados. Mesmo assim, disse que a proposição está fora de pauta.

Ao longo da entrevista, Bolsonaro também criticou o voto distrital: "eu não teria sido eleito nunca", disse que índios vivem em territórios demarcados "como se fossem criminosos" –"se ele quiser vender a terra, que venda sua terra" -, e afirmou que resolveria o problema da seca no Nordeste trazendo a tecnologia existente em Israel.

Com informações do Estadão Conteúdo

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