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Um paradoxo: nossa sociedade hipersexualizada faz menos sexo que há 25 anos

Um estudo constatou que se pratica 12 vezes menos sexo que há 25 anos. A explicação: aumento de separações, atraso ou recusa da maternidade, consumo de pornografia e possibilidade de sexo casual


Vivemos em uma sociedade hipersexualizada, onde consumir pornografia e praticar sexo casual é considerado “normal” e “socialmente aceito”. Entretanto, diferente do que possa parecer, hoje casais têm menos relações sexuais que há 25 anos. A pesquisa “Declines in Sexual Frequency among American Adults, 1989-2014” (Declínio na frequência de sexo em adultos americanos, em tradução livre), publicado na renomada revista Archives of Sexual Behavior (fator de impacto: 3.223), mostrou que entre 1995 e 2014 as relações sexuais diminuíram 12 vezes ao ano.


“Às dez horas da noite, hoje, há muito mais coisas a se fazer em casa”, diz o psicólogo Jean M. Twenge, professor do Departamento de Psicologia da Universidade de San Diego e diretor do estudo, que diz que os casamentos têm cada vez mais menos sexo e se você não tiver um parceiro estável, a frequência média também não melhora significativamente, inclusive piora.

Analisando as frequências sexuais por idade, em quase todas as faixas etárias analisadas há queda, com exceção dos que estão entre 40 e 49 anos, que passam de 62,8 vezes para 63,2; e do coletivo com mais de 70 anos, que vai de 9,7 a 10,9. Em relação ao gênero e estado civil, a diferença mais marcante é entre as mulheres, que passaram de 56,7 vezes praticando sexo por ano para 49,2, isto é, 7,5 vezes menos; enquanto os homens descem de 64,8 para 58,9 (5,9 vezes menos). Os casados são os que têm menos relações sexuais (11,4 menos vezes), seguido dos divorciados (9,7 menos vezes).



Diante deste cenário, muitos se perguntam como em uma cultura que cada vez se fala mais sobre sexo é possível obter estes resultados. O mesmo estudo pode dar algumas respostas: o aumento de pessoas que optam por viver sozinhas (e buscam sexo casual), aumento das separações, rejeição da maternidade ou atraso na idade quando mulheres decidem ser mães, o advento da maior era tecnológica da história, e o consumo excessivo de pornografia e sexo virtual.

Neste coquetel de situações que diminuem sexo, deve-se notar que nas sociedades modernas há um grande aumento das pessoas solteiras ou divorciadas. Assim, menos parceiros, menos sexo. Também a idade de se casar aumentou consideravelmente nos últimos anos, o que fez com que o desejo por relações sexuais – acentuado em certas faixas etárias – diminuísse. “Este fenômeno acontece em todas as sociedades altamente tecnológicas, é global no mundo desenvolvido”, diz o professor Andreu Camil Castelo-Branco, diretor do Mestrado em Sexologia Clínica e da Saúde Sexual da Universidade de Barcelona.

Por outro lado, Carmen Sánchez Martín, co-diretora do Instituto de Sexologia de Barcelona, ​​sugere que “temos que nos romantizar novamente. O relacionamento sexual requer um esforço e nos acostumamos a consumir o lazer passivamente”. Nesse sentido, deve-se notar que uma das razões pelas quais há cada vez menos relação sexual deve ser buscada no surgimento da tecnologia no espaço cotidiano, em que tudo está facilmente ao alcance de um toque na tela, sem a necessidade de esforços. Conquistar alguém é um esforço esquecido atualmente. Desta maneira, é mais fácil obter prazer sexual pela pornografia que pelo trabalho de conquistar uma pessoa e esperar o momento adequado para que se realize a relação sexual.



Ao mesmo tempo, é necessário notar que em outras épocas, quando a relação sexual estava ligada à sua finalidade reprodutiva, era maior o número de sua prática: “nossa sociedade começou a separação entre sexo e reprodução“, destaca Castelo-Branco, e as consequências são observadas nesta pesquisa e em nossa cultura. Mulheres fazem menos sexo que em outras épocas e também são mais desvalorizadas, isto é, são muitas vezes utilizadas como objeto sexual. O sexo casual e desvinculado da concepção permite à mulher “escolher” a maternidade, e isso pode ser um grande problema.

Relativo a esta questão, Professora Alicia Adsera, pesquisadora da Universidade de Princeton, acrescenta a esta tese o excesso de confiança das pessoas em técnicas de reprodução assistida. “A fertilidade está sendo afetada por várias razões, incluindo a percepção equivocada de que você pode adiar a maternidade porque a reprodução assistida o salvará; há uma confiança excessiva nos resultados dessas técnicas “, diz ela. Em uma entrevista publicada no jornal La Vanguardia, Adserà acrescenta que “as pessoas geralmente expressam que querem um número maior de filhos do que acabam tendo”.

“Nas últimas décadas, o tempo que as mulheres vêm se formando aumentou, o casamento ou a coabitação foram adiados, as expectativas colocadas sobre o casal mudaram e a crise tornou difícil alcançar a estabilidade econômica, de modo que anos férteis estão acontecendo e embora você tenha a percepção de que isso não importa, porque a reprodução assistida resolve tudo no final, a verdade é que a fertilidade é reduzida, e quando algumas mulheres finalmente decidem ser mães, sozinhas ou como um casal, ou elas não conseguem ter filhos ou não têm tempo para ter os que gostariam “.

Em resumo, quando há um entendimento errado sobre a finalidade e significado da relação sexual, há um efeito dominó de consequências para todos. E até a ciência está atestando isso.


Com informações do Forum Libertas

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